Laia

Somos cansados e baixos Sentados vertemos o que vem dos cachos Temos memória que é curta E somos famosos por ter muito encaixe Nem filhos de suevos e visigodos Somos primos de pretos, de zucas e lordes Não somos daqui nem de terra de brancos Criámos a cor de velhos em bandos Temos horror do nosso Narciso Ficámos sem nós quando era preciso Sujos e tristes como o preto do mar Humildes e curtos sem ter que pensar Uma matilha de nadas e cosmopolitas Damos o chão a quem necessita Navegávamos dantes por mares longínquos Hoje nós temos a memória no abrigo Portugalidade. Alguém que decida o que é isso. Qual a sua semântica. Até quando o bigode. ...show more

Somos cansados e baixos Sentados vertemos o que vem dos cachos Temos memória que é curta E somos famosos por ter muito encaixe Nem filhos de suevos e visigodos Somos primos de pretos, de zucas e lordes Não somos daqui nem de terra de brancos Criámos a cor de velhos em bandos Temos horror do nosso Narciso Ficámos sem nós quando era preciso Sujos e tristes como o preto do mar Humildes e curtos sem ter que pensar Uma matilha de nadas e cosmopolitas Damos o chão a quem necessita Navegávamos dantes por mares longínquos Hoje nós temos a memória no abrigo Portugalidade. Alguém que decida o que é isso. Qual a sua semântica. Até quando o bigode.

Alguém que seja taxativo e decida o que é isso. Laia encaixa dois tipos de portugalidade. A aparente e a fictícia. Entre a conquista e o medo.

O destino e o desenrascanço. No fundo, a bipolarizada pátria. O país dos heterónimos. Laia é isso tudo sem ser o que quer que seja. ...show less

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